Telma Cristina Zennaro

Telma Cristina Zennaro costuma ser dona de um sorriso contagiante. Parte dele se floresce facilmente ao brincar com a filha Rafaela, de quatro anos, no brinquedo de bolas do espaço externo do Sesc Belenzinho. Por lá, mãe e filha se divertem. Rafaela pula, caí, levanta, chora, mas sempre se recompõem com uma bola de sorvete. “É um de nossos espaços preferidos para lazer”, afirma Telma, enquanto cuida de um pequeno machucado no joelho da filha.  

Mas, aos 41 anos, não tem sido tão fácil sustentar esse sorrir. Paulistana, moradora de Itaquera, Zona Leste de São Paulo, há um pouco mais de um ano e quatro meses, Telma se juntou a massa de desempregados que se espalha pelo país. Depois de 16 anos trabalhando em uma empresa multinacional de tecnologia, Zennaro foi vítima da tão temida ‘restruturação de área’.

Baque forte para quem começou trabalhando aos 15 anos como atendente de lanchonete porque sempre gostou de ‘independência financeira’. “A sensação de impotência é enorme”, confessa. Contadora por formação, Telma tem experiência em setores administrativos. O trabalho burocrático, porém, não a impediu de rumar para as áreas de educação e gastronomia.

Fez magistério e, nos últimos meses, já desempregada, tentou se reinventar por meio de um hobby: cozinhar. Criou o “Delícias da Teka” – seu apelido de infância -, uma confeitaria online. As vendas, no entanto, ainda não cobrem todas as despesas, que incluem, entre outras coisas, a mensalidade da escola da pequena Rafa e os parcelamentos do seu imóvel.   

A filha, aliás, se tornou, ao mesmo tempo, o porto seguro e o ponto fraco. “O que mais machuca é ter que ficar repetindo para ela que não tenho dinheiro”. E como se descreve a negação de um pedido desses? Não se descreve. Só se suporta. E ao lado do marido, Ricardo Alexandre, de 39 anos, é o que Telma tem feito. Cortou algumas regalias, como internet e TV a cabo, e conta também com ajuda da mãe para pagar a escola dela.

E ela, também como mãe, não se abala. O sorriso ao brincar com a filha, não deixa. “Quero voltar a ter direito de não ter pendências. Isso para mim já basta”, deseja, durante um fim de tarde alegre ao lado da filha.

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